Talvez eu quisesse voltar no tempo.
Para sorrir mais vezes, cantarolar pela manhã e parar para ouvir os ruídos do caos.
Mas, não daria valor do mesmo jeito.
Talvez eu quisesse voltar no tempo.
Para reviver grandes amores, sentir novas sensações, buscar o desconhecido.
Certamente eu chegaria ao mesmo fim.
O medo da incerteza me faz viver o dia sem querer voltar no tempo, pois voltar me ensina a viver, me ensina a descobrir o que vem pela frente, e, talvez, não seja isso o que eu busco.
Talvez eu quisesse voltar no tempo para errar.
Errar e aprender, e hoje, errar sabendo o porquê.
Mas com certeza, não aceitaria errar já sabendo que errarei.
Talvez eu saberia lidar melhor com as pessoas, com as descobertas, com decisões importantes.
Talvez eu saberia lidar melhor comigo mesma. Ou talvez não.
Quem sabe eu não quisesse voltar no tempo, mas quem sabe, pará-lo.
Parar o tempo me faria viver intensamente cada segundo e aproveitá-lo.
Refutaria os erros alheios sem medo de ser contestada.
Mas cansaria do tempo parado.
Talvez eu aproveitaria melhor cada momento, cada pessoa, cada circunstância.
Talvez eu aproveitaria melhor a mim mesma. Ou talvez não.
O jeito é deixar o tempo andar...
e tentar me entender andando do jeito que estou.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
Infelicidade em qualquer rua
E tem vezes que a gente olha a esquina e diz
"Não dá mesmo pra ser feliz..."
"Não dá mesmo pra ser feliz..."
terça-feira, 10 de julho de 2012
Estações-coloridas
A tarde de outono entrava pela janela.
As folhas lá fora insistiam em colorir a calçada
entre um marrom-natureza e um coral-ensolarado.
O ar é fresco e balança os cabelos brilhosos das meninas,
entre elas, a mais doce está lá.
Sua pele branca que parece as nuvens na primavera.
Parece impossível tocar.
E o seu sorriso muda meu dia, transforma em um delírio.
Me teletransporto para o seu mundo e lá eu queria ficar.
A doce menina de meias bordadas sentada no meio-fio a brincar.
Suas maças rosadas se lambuzavam no picolé colorido que devorava calmamente.
Seu cheiro atingia a janela do meu quarto e do parapeito eu a admirava.
Um perfume doce-tutti-fruit.
"Olhe para mim doce menina" eu ficava a pensar.
Ela ensaiava um sorriso, retribuia uma piscadela e se engraçava com os meus fios rebeldes a dançar com o vento.
Eu não ousava chegar perto dela.
Um menino esquisito como eu.
Pernas finas, meias pretas desbotadas, magro demais, alto demais, feio demais.
E pra piorar o tempo me trouxe uma linda janela em meu sorriso.
Mas porque todo dia a menina vinha brincar em frente a minha casa?
Todo dia eu brincava de admirar.
Eu gostava dessa brincadeira e ela parecia amar.
Tão nova e já sabia instigar a curiosidade de explorar.
A manhã de inverno cobria a janela.
Transformando a rua em uma linda massa de algodão.
O vento divergia entre um gelado-polar e um frio-cortante.
Todas as crianças construindo bonecos na rua, entre elas, a menina dos meus sonhos.
Sentada no meio-fio dedilhando os bolinhos de neve que se encaixavam perfeitamente em suas mãos.
Mãos de menina. Pele de princesa.
Onde ela tocava nutria vida, saia arco-íris, nasciam fadas.
"Olhe para mim doce menina" eu ficava a pensar.
Ela me desenhava na neve, se divertia com o meu olhar, brincava de me assustar.
E nos divertiamos assim.
Ela na rua a me esperar e eu cá na janela a admirar.
O luar da primavera clariava as casas.
Tudo era claro, tudo era branco, tudo era romântico.
E transbordava aromas entre Foundie-de-queijo e chocolate-quente.
E todas as crianças surgiam acompanhadas na rua, entre elas, a minha doce pequena.
Porém, permanecia só sentada ao meio-fio a me esperar.
O seu vestido florido entre tons de rosa-maravilhoso e rosa-tudo-que-eu-quero.
Cores que constrastavam com o tom dos seus olhos. Azul-esverdeado ou Verde-azulado.
Que seja, olhos que me caçavam e suplicavam a minha presença ao seu lado.
Enquanto isso, meus olhos castanhos-sem-graça a fitava com tanta vontade que a fazia morder os lábios de vergonha.
"Olhe para mim doce menina" eu ficava a pensar.
Ela colhia as flores nos jardins e as cheirava, fazia pic-nic sozinha e lanchava com suas bonecas... tão só.
E eu continua na janela, banguela e sem coragem de falar com ela.
O sol do verão chegou com as férias.
Tudo era vida, alegria e correria.
As crianças brincavam de bola colorida, pega-pega e salada mista.
Até mesmo a minha menina.
Na calçada estava a sua marca, mas ela não estava lá.
Procurei loucamente a minha amada para brincarmos de olhar.
A tarde passou e quando surgiu um crepúsculo lilás-verão ela apareceu.
Vinha do final da rua andando de mãos dadas.
O meu coração-vermelho-sem-graça palpitava.
A sombra das casas não deixava eu ver o rosto da mão que lhe acompanhava.
Sentou em frente a minha janela e com ela um menino.
Pernas finas, meias desbotadas, cabelo bagunçado. Magro demais, alto demais, feio demais.
E com uma enorme janela no sorriso.
"Olhe para mim de volta doce menina" eu ficava nervoso a pensar.
Mas a menina só olhava para o menino a brincar.
Pela primeira vez nada importava, nem mesmo a janela, nem a brincadeira de admirar.
O que faltava para a doce menina me olhar?
Quem sabe um pouco de coragem ...
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Deixe-me
Busco a paz dentro de mim.
Deixe-me pulsar tranquilidade, células.
Deixe-me errar alguma vez.
Descansar de tanto respirar.
Quero fechar os olhos e esquecer.
Quero molhar o corpo e sentir aquecer.
Busco o meu lugar nesse espaço louco.
Deixe-me procurar.
Deixe-me cansar de procurar, me deixa tentar.
Não pode ser tão impossível assim.
Deixe-me sorrir e sentir prazer.
Deixe-me ficar triste e chorar de doer.
Busco um trajeto linear em que sonhos eu possa viver.
Deixe-me sonhar. Esperança de um dia realizar.
Deixe-me tentar, quem sabe um dia eu não consiga?
O que faz pensar que não?
Busco o meu nome em algum lugar.
Mesmo que ele não apareça, deixe-me escrever.
Deixe-me fazer minha história.
Deixe-me voar.
Deixe-me crescer.
Deixe-me pulsar tranquilidade, células.
Deixe-me errar alguma vez.
Descansar de tanto respirar.
Quero fechar os olhos e esquecer.
Quero molhar o corpo e sentir aquecer.
Busco o meu lugar nesse espaço louco.
Deixe-me procurar.
Deixe-me cansar de procurar, me deixa tentar.
Não pode ser tão impossível assim.
Deixe-me sorrir e sentir prazer.
Deixe-me ficar triste e chorar de doer.
Busco um trajeto linear em que sonhos eu possa viver.
Deixe-me sonhar. Esperança de um dia realizar.
Deixe-me tentar, quem sabe um dia eu não consiga?
O que faz pensar que não?
Busco o meu nome em algum lugar.
Mesmo que ele não apareça, deixe-me escrever.
Deixe-me fazer minha história.
Deixe-me voar.
Deixe-me crescer.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Madonas do prazer
Percorrendo
as escadas
Andando
pelos corredores
Ouviam-se
gemidos, gritos, urros
Eram elas,
as mulheres da noite.
Saciando os
desejos dos homens de preto.
Homens de
terno. Homens de dinheiro.
Mãos suadas,
beijos secos, bafos de cigarro.
Meias pretas
até a canela, bigodes mal cortados, cabelos com gel.
Suas
mulheres os aguardavam em casa ansiosas pelo beijo de boa noite.
Seus homens
estavam a sós com outras mulheres.
Mulheres
sujas, usadas, descartadas.
A fumaça da
cigarrilha confundia-se no aroma doce e enjoativo no ar.
Risadas, sussurros,
conversas fiadas, cantadas.
O mundo era
vermelho. O mundo era negro.
O sexo era sujo com estes homens de terno.
Prazeres com as mulheres do mundo.
Donas da
noite.
Madonas do prazer.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Ode ao amor
Compor-se-á uma ode. Cante, pequeno trovador, para princesa apaixonar.
Em que a alma n'outro canto venha receber o prazer de amar.
O sentimento que vibra com cada nota que o vento compôs para te dar.
As palavras percorrem dum riacho de ouro à certeza de um amor colossal.
Exalastes, óh bela, o perfume de Eva que saíste do homem criado para
amar.
Enquanto o velho burgo inescrupuloso encara a amarga vida de jogatina,
feras e feridas
o pequeno servo solitário, a quem retratas com asco, escreves a ti com
louvor.
Percebas, amada, que essa vida só é farta a quem deve a alma.
E a cousa que lhes falta é amor.
Mas aqui jáz teu servil imortal que encantas no silêncio dos amores
platônicos,
dos amores nunca vividos, dos amores da minha senhora que chora
na calada da noite pelo seu senhor.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Momento
Suas mãos delineavam suavemente o meu rosto
e os seus olhos penetravam nos meus inundados de lágrimas.
Enquanto promessas de um futuro bom saiam pela boca,
o medo do fracasso afligia o peito.
O orgulho servia de propulsão para a vitória
e todas as palavras faziam sentido,
mais, faziam verdades.
Verdades mais que ditas, verdades temidas.
Que quando teima, acontece.
Se não, faz acontecer.
E o momento que se fez absorto,
todos os pensamentos pairavam no ar
e nos asselhamos a colóides.
Um abraço seu e pude ouvir palavras sinceras
palavras do coração que batia descompassado,
enfurecido, entorpe de paixão.
Não diferente das minhas pernas que tremiam
a idéia de um novo sentimento a surgir.
O sentimento da dúvida, do medo, do diferente
batendo em nossas portas.
Portas da vida, que abrem e fecha quando bem querem,
mas sempre deixam uma brecha para os espertos passarem.
Dissipemos todos os porquês e vivemos de 'eu quero mais'.
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